Uma centena de pessoas protestam contra regime iraniano em Lisboa

Cerca de 100 pessoas estão este domingo em protesto, frente à Embaixada do Irão em Lisboa, numa manifestação que visa apoiar a contestação das últimas duas semanas naquele país com vista a derrubar o regime.

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Foto: Ana Luísa Alves - RTP

Com cânticos e gritos de ordem em persa, os iranianos iniciaram a manifestação às 12h00 e querem manter-se no local até às 17h00, apesar de a embaixada estar fechada.

Vários polícias vigiam a contestação, que se mantém pacífica, evitando a aproximação de qualquer pessoa à embaixada.

"Precisamos de ser ouvidos, precisamos ter apoio internacional", explicou à Lusa uma das manifestantes, Solmaz Nazari, sublinhando que o objetivo dos manifestantes no Irão é "fazer uma revolução" para mudar o atual regime persa.

Os protestos em quase todo o Irão começaram em 28 de dezembro, inicialmente contra o custo de vida e a inflação galopante, num país sujeito a sanções económicas dos Estados Unidos e da ONU, mas têm-se vindo a intensificar e transformaram-se numa contestação política contra o regime.

Na quinta-feira, as autoridades desligaram a Internet e o sinal de telemóveis em todo o país, na sequência de uma grande manifestação em Teerão e depois de terem sido publicados nas redes sociais vídeos que mostravam uma multidão em protesto.

Hoje a organização de defesa dos direitos humanos anunciou ter registado 192 mortos nas manifestações, mas alertou que o número pode ser muito maior, já que o corte da internet dificulta a contagem.

Solmaz Nazari, que vive em Portugal desde 2018, não sabe que regime poderá substituir o atual, mas sublinhou que "o povo iraniano irá decidir" através de um referendo.

Segundo explicou, "o filho do antigo Xá está a organizar um referendo, mas isso não quer dizer que as pessoas queiram que ele seja o próximo Xá do Irão".

O opositor iraniano no exílio Reza Pahlavi, filho do antigo Xá do Irão, tem convocado alguns dos grandes protestos em Teerão e pediu no sábado aos manifestantes para que "se preparassem para tomar" os centros das cidades.

Numa mensagem publicada nas redes sociais, Pahlavi exortou os iranianos a "saírem todos às ruas (...) com bandeiras, imagens e símbolos patrióticos e a ocuparem os espaços públicos".

"O nosso objetivo já não é apenas sair às ruas; o nosso objetivo é preparar-nos para conquistar e defender os centros urbanos", refere.

O autoproclamado príncipe herdeiro do Irão afirma-se convencido de que as manifestações conseguirão colocar "completamente de joelhos a República Islâmica e o seu desgastado e frágil aparato de repressão" e insta os trabalhadores a convocarem uma greve geral para redobrar a pressão sobre o Governo.

Reza Pahlavi anunciou ainda estar a finalizar os preparativos para regressar ao Irão, quando as circunstâncias forem oportunas: "Também me preparo para regressar à minha pátria e estar convosco, a grande nação do Irão, quando a nossa revolução nacional triunfar. Acredito que esse dia está muito próximo", disse.

c/ Lusa

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